Benedito Said
Há palavras cuja origem mantém-se a mesma através do tempo. Merenda é uma dessas palavras. Do latim, surgiu para definir refeição ligeira, intermediária, como está registrada no séc. XIII, saindo de merere, “conjunto de coisas merecidas, como as refeições. Independe hoje de merecimento porque a merenda escolar é obrigação de estado, o que inclui o município. Há exemplos, e não são poucos, de que crianças têm na merenda escolar o seu alimento completo e exclusivo, pelo que ganha maior importância social, além das calorias e nutrientes correlatos.
No início do mês de janeiro desta administração, para garantir a merenda escolar, a Secretaria Municipal de Educação cuidou de solicitar encaminhamento de licitação (antes mesmo, no período de transição a equipe responsável já havia pedido essas providências) para que o ano letivo não fosse iniciado com a despensa vazia. Havia algum estoque do ano anterior, mas insuficiente. Todos sabem que o ritual legal para aquisição de volume tão elevado de merenda não é dos mais simples, podendo sofrer intercorrências que fogem da mão do gestor e afetam o estômago de quem é o público-alvo.
Essas intercorrências foram registradas, causando apreensão, críticas de quem estava do outro lado do muro escolar, ansiedade mesclada de angústia pela demora. O prefeito Humberto Souto viveu essa angústia de gestor responsável que deseja ver “a coisa funcionar”, determinando que a merenda escolar teria que ser de qualidade e dentro da legalidade. A Secretaria de Educação cumpriu seu papel de cobrança, enquanto o setor de nutrição, com servidores do mais alto valor, se empenhava para suprir demandas, avaliar produtos, confeccionar cardápios, treinar cozinheiras, diretores e técnicos da área. A primeira solução veio com a aquisição de produtos da agricultura familiar, seguindo dos demais ingredientes, alguns com atraso razoável devido a pareceres ou questionamento de concorrentes.
Neste início do mês de abril, a situação ganhou contornos de solução, aliviando semblantes e enchendo panelas e pratos nas escolas, cumprimento de obrigação de quem está à frente de uma joia preciosa, que é a Educação. Alguém pode até perguntar se não haverá respostas aos críticos. Mesmo em casos de incompreensão, pode-se perceber que diante da solução do que era um problema, o tempo dilui a chamada verdade anterior, que se perde no tempo, assim como a insensatez ou interesse difuso daquele que deve permear o educador real.
Não pensem que é simples assim. Mas para que estamos nesta frente de batalha? Para ajudar na vitória da educação como processo de inclusão socioeconômica, dando suporte e apontando saídas para que menos pessoas fiquem à margem de uma sociedade cada vez mais imediatista, customizada em supérfluo consumismo, e que, por outro lado, precisa de essência para continuar a ter motivação em viver, deixando uma história para o amanhã. Essa história para o amanhã, envolvendo crianças e adolescentes, professores e demais servidores da Educação Municipal, está escrita também com seus percalços naturais, mas dominada pela responsabilidade de se construir uma sociedade menos injusta, sólida como alicerce construído na rocha, ensino de qualidade, setor pedagógico fortalecido. Há muito por fazer.
Benedito Said é secretário municipal de Educação, professor por formação, jornalista desde 1973
Foto: Fábio Marçal (ASCOM/PMMC)
Edição: Farley Henrique (Educamoc)
Leia também:
Produtos para a merenda escolar chegam às escolas do Sistema Municipal de Ensino
Procon Mirim: Atividades do Programa continuam em 2017 nas escolas do município
27 anos da Escola Geraldo Pereira
CEMEI Hamilton Lopes abre “Semana de Conscientização Sobre o Autismo” com uma passeata
Todos os direitos reservados a Prefeitura Municipal de Montes Claros © 2018-2025