Imagem de destaque Ser Vivo

Ser Vivo

03/05/2017 - 13:54 | atualizado em 30/06/2020 - 14:26

Benedito Said

A escola existe como ser vivo. Simples. Não é inanimada ou meticulosamente enfiada nos desvãos de burocracias, calculadoras, planilhas e reflexões que se perpetuam pelo tempo afora sem se desatar ou serem desatadas. Por ser viva, a escola tem sua complexidade individual e coletiva, mas focada no principal papel: a proficiência de seus atores, professores e gestores inclusos, observadas as circunstâncias e as necessidades temporais e atemporais de seus alunos, motivo final da existência desse ser vivo.

Importante para o sucesso é não permitir que questões burocráticas sobreponham ou tenham mais peso que o foco educativo. Assim, a escola necessita de planejamento, organizar demandas e aproveitar habilidades, potencialidades, recursos e envolvimento para parcerias, o que sempre fortalece para alcançar resultados, aquela proficiência citada anteriormente.

O processo de educar, que inclui o administrativo e o perfazer pedagógico, exige também coletar experiências. Ao visitar a Escola Municipal Bolivar de Andrade, no Bairro Planalto, constata-se que a experiência de simulados semanais, absorvidos com sucesso pelos professores, alunos e pais do educandário, já está incorporada à prática pedagógica rumo ao bem-sucedido aluno, que pode, então, avançar com segurança às séries subsequentes.

A partir daí podem as escolas refletirem sobre o que ocorre nas séries iniciais, em que 50% dos alunos ainda não dominam a leitura mesmo com sete anos. Ora, esse domínio precisa ser levado em consideração com objetividade logo nos primeiros e segundos anos, não permitindo que a alfabetização plena seja postergada apenas porque a lei diz um “até oito anos,” quando o ideal seria alfabetizar já, agora.

As pessoas, com seus atributos, nomes e performances, fazem as próprias histórias. Milhares, anônimas, caminham céleres ou devagar, empilhando os tijolos da própria construção. Outras, desalinhadas, como o Selvagem em Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, fixam-se na insanidade. Não é só a insanidade comum abastecida pela marginalidade tóxica, mas aquela que faz lembrar Hiroshima ou Magdeburgo, com seus trinta anos de guerra. E existem aqueles seres que recebem no berço a missão de bem servir através de cargos, funções, sejam elas quais forem, que ocupam através da capacidade profissional que têm, usando a proficiência intelectual que construíram para que outros, inclusive aqueles anônimos, possam ter condições de alcançar futuro digno nos mais variados níveis e setores da vida. Assim, a escola é ser vivo.

O poeta Raul de Leôni escreve: “Dignificaste a Espécie, na nobreza / das grandes sensações de Harmonia e Beleza; / Disseste a Glória de viver, e, agora, / O teu eco a cantar pelos tempos em fora, / Dirá aos homens que o melhor destino / Que o sentido da Vida e o seu arcanjo / É a imensa aspiração do ser divino / No supremo prazer de ser humano”.

Benedito Said é o atual secretário municipal de Educação